<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300</id><updated>2011-08-22T13:59:29.036+01:00</updated><title type='text'>Maya's Story</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-2225204831086486363</id><published>2010-08-19T13:00:00.004+01:00</published><updated>2010-08-19T13:15:14.939+01:00</updated><title type='text'>ELE VIII</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Chegou uma carta para ti!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acabava de entrar em casa quando o pai lhe entregou o envelope. Tinha passado o dia a trabalhar, tinha desistido de ir para a faculdade. Não lhe apetecia, não sabia que rumo tomar e apesar da pressão da mãe, a quem so faltou ameaça-la com o suicidio, para que continuasse a estudar, desistiu.&lt;br /&gt;Arranjou trabalho num restaurante, servia às mesas, ajudava a lavar a louça, fazia de tudo um pouco. Tarefas basicas e repetitivas que não exigiam muita concentração da parte dela e que a deixavam exausta ao fim do dia, de forma a que adormecia mal caia na cama. A exaustão fisica não a impedia, no entanto, de pensar nele. Todos os seus pensamentos se concentravam nele, não conseguia evitar, onde estaria, o que faria, lembrar-se-ia dela?&lt;br /&gt;Tinham passado muitos meses desde o dia em que se despediram na praia, quase um ano. No inicio esperou, por um contacto, um telefonema, algo, que se arrependesse e voltasse; o tempo foi passando e convenceu-se de que tinha partido de vez. Que não voltaria.&lt;br /&gt;Uma carta? Quem lhe teria escrito? Talvez a Ana que se tinha mudado para Coimbra para estudar. Não tinha remetente, apenas um carimbo dos correios, ilegivel, não conseguia ver de onde vinha.&lt;br /&gt;Abriu o envelope, curiosa agora para saber o que seria, publicidade talvez.&lt;br /&gt;Dentro uma folha de papel, duas palavras: Quero-te. Vem. Junto, um bilhete de avião, sem data de partida.&lt;br /&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-2225204831086486363?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/2225204831086486363/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=2225204831086486363&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/2225204831086486363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/2225204831086486363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/08/ele-viii.html' title='ELE VIII'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-441650878795857953</id><published>2010-06-03T19:30:00.004+01:00</published><updated>2010-06-04T19:14:17.724+01:00</updated><title type='text'>ELE VII</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Beija-me.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele hesitou, sabia da inexperiência dela e queria, tinha prometido a si mesmo ir devagar. Não queria assustá-la e acima de tudo, queria que a primeira vez dela fosse inesquecível, um momento que recordasse sempre. Que a fizesse pensar nele, uma memória bonita para quando ele estivesse longe. Ia partir, tinha que partir. Decidira no momento em que tomou consciência do que sentia por ela. Não podia amá-la, não tinha nada para lhe dar, e ela merecia o mundo. Mas não podia partir sem a ter, só uma vez, e queria que essa vez fosse perfeita.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Devagar, vamos devagar,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; disse-lhe, enquanto lhe beijava suavemente os labios.&lt;br /&gt;Num impulso ela colou-se a ele, entreabindo os labios, saboreando-o com a lingua. Devagar? Pensou ela, devagar não fazia parte dos seus planos. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Toca-me,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; pediu-lhe, enquanto deslizava pelo corpo o vestido que trazia e se despia para ele.&lt;br /&gt;Céus, devia saber que os seus planos nunca resultavam com ela. Depois de todas as tentativas para se manter longe, para manter a cabeça fria e não se deixar envolver, tinha-se apaixonado por ela. E agora, sentia que o seu auto controlo escapava rapidamente, ao vê-la assim nua na sua frente, com um sorriso nos lábios e os olhos brilhantes de desejo.&lt;br /&gt;Conhecia-a bem demais para esperar o comportamento típico de uma virgem tímida, mas nunca imaginou que fosse assim. Ela irradiava erotismo, uma sedutora natural, com um olhar selvagem que o enlouqueceu por completo. Sentiu-se um bruto e sabia que ia arrepender-se depois, mas não conseguiu resistir mais.&lt;br /&gt;Pegou-a nos braços e deitou-a na cama, abriu-lhe as pernas e mergulhou a boca entre elas, sentiu-a tremer enquanto a invadia com a língua, ouviu-lhe a respiração acelerada quando o orgasmo se aproximava e sentiu as unhas que se cravaram nas suas costas ao mesmo tempo que gemia o nome dele.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Quero-te, quero-te agora dentro de mim. Vem.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele tentou ser cuidadoso, não a magoar, mas qualquer resquício de controlo que ainda possuía, perdeu-se quando sentiu na língua o sabor dela e a ouviu rir enquanto levantava as ancas num convite irrecusável. Como encaixava perfeitamente nela, perfeita. Beijou-a docemente enquanto se mexia, aumentando o ritmo lentamente até que a sentiu imitar os movimentos dele, a impulsioná-lo, a sussurrar-lhe ao ouvido: Mais, mais. Perdeu-se nela, perderam-se um no outro...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Vou partir.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Um sussurro apenas, o suficiente para a despertar da letargia em que ficara depois de se terem amado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Quando?&lt;br /&gt;-Dentro de alguns dias.&lt;br /&gt;-Vais voltar?&lt;br /&gt;-Não.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Ela sorriu, tentando conter as lagrimas que lhe inundaram os olhos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Vais para onde?&lt;br /&gt;-Não sei ainda, não tenho planos. Preciso de ir, tenho que ir. O que aconteceu entre nós...&lt;br /&gt;-Não. Não digas nada. Não quero, não preciso de palavras, de explicações. Compreendo. Vai.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Num minuto estava vestida e pronta para sair, desceu as escadas aos tropeções, cega pelas lágrimas que desistiu de conter. Deixava-a. Depois de tudo, deixava-a. Tinha pressentido a inquietude dele, sabia do formigueiro que lhe percorria a pele de cada vez que se quedava tempo demais em algum sitio. Mas pensara.... céus, pensara que tinha acalmado um pouco a sua ânsia de partir. Que por ela fosse capaz de ficar mais um pouco. Ou que a levasse com ele. Mas não, partia. Ensinara-a a amar e deixava-a.&lt;br /&gt;A ideia de nunca mais o ver dilacerava-a. Porque tinha fugido como uma tonta, porque tinha deixado que a ultima imagem que ele teria dela fosse a de uma miuda a chorar como uma tonta. Se pudesse voltar atras.&lt;br /&gt;Ele encontrou-a, uns dias depois na praia, claro que tinha que ser ali. Despedir-se-iam ali.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Tinha que ver-te antes de ir.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu, mas não o encarou, continuou a contemplar o mar, o seu mar. Tinha medo de falar, medo de ser traída pela emoção e de lhe implorar que ficasse. Tinha de se mostrar forte, não suportaria que ele sentisse pena dela.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Não te vou esquecer. Não vou esquecer os momentos que partilhamos, por favor entende que não posso ficar.&lt;br /&gt;-Eu entendo, ja to disse. Sei que não pretendes voltar, mas os planos mudam, se voltares, eu estarei aqui.&lt;br /&gt;-Esperas por mim? Mesmo sabendo que não pretendo voltar?&lt;br /&gt;-Não, não espero por ti. Mas estarei aqui. Vou sempre estar aqui.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Passou-lhe um dedo pela face, como tinha feito naquela primeira vez em que se encontraram na praia.&lt;br /&gt;Adeus M.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ela continuou a fitar o mar e sorriu. Não lhe diria adeus...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-441650878795857953?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/441650878795857953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=441650878795857953&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/441650878795857953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/441650878795857953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/06/ele-vii.html' title='ELE VII'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-5199558356635821076</id><published>2010-04-08T18:55:00.003+01:00</published><updated>2010-04-08T19:00:19.263+01:00</updated><title type='text'>ELE VI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;In the right light, at the right time, everything is extraordinary. (Aaron Rose)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Ele nunca revelava muito de si. Eloquente e apaixonado quando discutiam uma outra personagem dos livros que devoravam, fechava-se totalmente quando o assunto era ele próprio. Ela tentou, no início, saber mais, mas aceitou a reserva dele. No fundo não queria saber quem ele era antes dela, quem amara e por quem teria sofrido. O passado dele não lhe pertencia. Pressentia a dor nas sombras que se formavam de vez em quando nos seus olhos, na forma como os desviou quando lhe perguntou se tinha alguém, sobre a sua familia, quem era a criança que o acompanhava naquele dia. As evasivas com que lhe respondeu nada lhe disseram, o seu rosto disse-lhe tudo. Disse-lhe que não insistisse. Ele contaria quando e se quisesse. E se não o fizesse, bem, os segredos dele eram isso mesmo, dele, não dela.&lt;br /&gt;Devido à relação professor aluna, sempre mantiveram todo o cuidado nos seus encontros. Faziam questão de se encontrar em público, raramente se tocavam e sempre que havia alguém por perto, ela tratava-o por professor, mas há muito que para ela era Nuno, apenas.&lt;br /&gt;Aos pais explicava as ausências dizendo que tinha que estudar, que precisava de ajuda a algumas disciplinas. Como já lhe conheciam o hábito de passar tardes a estudar no café, o sítio perfeito no inverno para ver o mar, com a chuva a bater nas grandes janelas, não estranharam.&lt;br /&gt;Mas, toda a formalidade e distância aparente começavam a pesar. A vontade de se tocarem era cada vez maior. Ele sugeriu uma tarde, que se encontrassem em casa dele.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Preciso de te ter mais perto. Quero-te. Sabes isso não sabes?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Claro que sim, sabia. Podia ser jovem, muito mais jovem do que ele e inexperiente, mas não era ingénua. Sentia o desejo dele no olhar, nos toques aparentemente inocentes quando se cumprimentavam ou despediam, que lhe deixavam a pele em fogo e a respiração acelerada.&lt;br /&gt;Também o desejava. Deitava-se inquieta todas as noites, com uma ânsia que não conseguia apaziguar. Sabia que era desejo aquilo que sentia, desejo por Ele, que a levava a tocar-se até acalmar um pouco a vontade que lhe corria nas veias. Tinha descoberto o prazer que o seu corpo lhe podia proporcionar, mas sentia-se insatisfeita. Queria mais, queria-o a Ele dentro dela. Lera sobre sexo, ficara chocada com as descrições cruas nos livros de Miller, que mais uma vez lera às escondidas, mas ao mesmo tempo, ficara curiosa, excitada.&lt;br /&gt;Precisava saber como seria, qual seria a sensação de ter um homem dentro dela pela primeira vez. De o ter a Ele.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Sim, amanhã então. Na tua casa”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-5199558356635821076?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/5199558356635821076/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=5199558356635821076&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/5199558356635821076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/5199558356635821076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/04/ele-vi.html' title='ELE VI'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-1432822993955750316</id><published>2010-04-07T15:40:00.002+01:00</published><updated>2010-04-07T16:25:57.124+01:00</updated><title type='text'>ELE V</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“You can learn me” – The constant gardner (John Le Carré)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Foi isso que fizeram, apreenderam-se.&lt;br /&gt;Ele gostava dos silêncios dela, da sua quietude, da forma como contemplava o mar, com os olhos fixos no horizonte como se esperasse algo.&lt;br /&gt;Ela adorava ouvi-lo, que lhe falasse dos livros que lera, dos sítios por onde passara, daqueles que sonhava visitar.&lt;br /&gt;Trazia-lhe livros, os seus preferidos. Com ele iniciou a descoberta dos classicos da literatura Inglesa. Jane Austen, as irmãs Brontë, Anthony Troloppe e Aldous Huxley fizeram-lhes companhia durante as tardes de Outono na praia. Quando o tempo arrefeceu, levaram-nos para o pequeno café perto do cais, onde ele lhe leu Bleak House de Dickens e o preferido dela Wuthering Heights de Emily Brontë.&lt;br /&gt;Discutiam imenso nessa altura, ela tendo já perdido a timidez inicial; defendia os seus pontos de vista com ferocidade. Pontos de vista naturais para alguém como ela, a quem a vida não tinha ainda pregado nenhuma das suas cruéis partidas. Alguém que acreditava na rectidão moral, na honestidade e na coragem, na lealdade e no amor.&lt;br /&gt;Ele bebia isso dela, ha muito que tinha deixado de encarar a vida dessa forma, como se nada de mau nos pudesse acontecer apenas porque nada fizemos para o merecer.&lt;br /&gt;Coisas más aconteciam a pessoas boas. Pessoas boas faziam coisas más. Inevitável, inescapável como as marés. Era assim a vida.&lt;br /&gt;Não para ela, ainda. Não tinha ainda perdido a inocência, a vida estava ainda coberta por um véu cor de rosa. Era isso que o atraía, não apenas a beleza infinita daqueles olhos verdes, ou o sorriso que lhe rasgava o rosto de vez em quando. Eram a sua frescura e inocência que o cativavam. Para alguém como ele que tinha percorrido meio mundo e sofrido como um condenado, ela representava a redenção. Usou-a. Usou-a para preencher um vazio de que nem se tinha apercebido até a encontrar. Era errado, claro que era, mas não sabia como parar, não queria parar. Como um viciado que espera apenas a próxima dose, ele passava os dias à espera dela. Até quando, não sabia. Sabia apenas que precisava de a ter, de impregnar a sua pele com o cheiro dela, de a fazer sua. Depois... depois veria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-1432822993955750316?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/1432822993955750316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=1432822993955750316&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/1432822993955750316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/1432822993955750316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/04/you-can-learn-me-constant-gardner-john.html' title='ELE V'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-5006363865491378106</id><published>2010-03-21T17:11:00.003Z</published><updated>2010-03-21T17:15:05.919Z</updated><title type='text'>ELE IV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;We stand&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Stand on the river bed&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;We stand as the water flows&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Into the sea&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Slippery feet on stone&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Know I won't let you fall&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Just hold on to me&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia de aulas chegou, inevitavel. Debateu-se durante meses com a escolha do rumo a seguir. Durante anos imaginou-se bióloga marinha, com a sua paixão pelo mar era o futuro ideal. Convenceu-se rapidamente de que não era de todo uma decisão de carreira para ela na primeira aula de biologia. Era demasiado, complicado demais, numeros demais, porque raios é que para cuidar de animais precisava saber matematica, Não . Restava-lhe a sua outra paixão, os livros.&lt;br /&gt;Foi nesse primeiro dia que voltou a vê-lo. Estava com as amigas no local preferido de todas, no banco delas, reservado desde o primeiro ano e onde ninguém se atrevia a sentar. Tinha uma vista privilegiada sobre o campo de jogos, onde podiam espreitar os rapazes em calção e, não tão agradavel mas por vezes útil, uma visão muito boa da sala dos professores. Era lá que ELE estava, inacreditável, ELE, um professor. Perdeu completamente a noção das conversas que a rodeavam, não conseguia tirar os olhos do rosto dele. Conversava com alguém e sorria. Era ELE. Finalmente, ali tão perto. Quando voltou o rosto e a fitou, o seu coração parou de bater, sentiu-se corar até à raiz dos cabelos, raio de pele branca que corava sempre nos momentos mais inoportunos. Os olhos dele demoraram-se no seu rosto e franziram-se ligeiramente, como se fizesse um esforço para a reconhecer.&lt;br /&gt;Raios, porque não tomou um pouco mais de cuidado com a aparência hoje. Vestiu-se como sempre com as Levis coçadas, que lhe tinham custado três semanas a lavar pratos no restaurante da praia, se queria roupas caras tinha que trabalhar para elas, era o lema lá em casa. Não que se tivesse importado, o restaurante ficava em cima da praia e divertia-se imenso com os empregados que a tratavam como uma princesa. Tinha a sua velha t-shirt azul e as All star, que tinha recebido de presente de aniversario na semana anterior, depois de jurar que se não as tivesse fazia greve de fome. O que não daria para parecer mais sofisticada naquele momento, por um pouco da base da prima, um pouco de maquilhagem que disfarçasse aquele rubor incómodo. Era a primeira vez que ELE a via e ela naqueles preparos. Mas então ele sorriu-lhe, os olhos dele prenderam-se nos dela e foi preciso uma das amigas a puxar pelo braço para dar conta que estavam a falar com ela há muito tempo sem que ela desse qualquer sinal de ouvir.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Então??? Dizia a amiga, vidraste em quem??? Anda lá, temos aula de Literatura Inglesa e já estamos atrasadas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Seguiu as amigas como se estivesse num sonho. O seu cérebro fixou-se numa palavra apenas:&lt;br /&gt;ELE.&lt;br /&gt;Acreditava no destino, claro que sim. Tivera já diversas provas de que nada acontece por acaso mas nunca imaginou que fosse assim. ELE, professor dela. Não ia resultar. Era uma miúda, pela primeira vez duvidou dos seus sonhos, pela primeira vez, a certeza que tinha de que ELE fazia parte do seu destino, vacilou.&lt;br /&gt;Sentou-se numa cadeira bem no fundo, como se estivesse em transe. A voz dele acabou por penetrar na confusão que reinava na cabeça dela. &lt;em&gt;Bom dia, eu sou o Nuno, o vosso professor de Literatura Inglesa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O nome, credo, o nome era o mesmo. Nuno, o nome DELE.&lt;br /&gt;Não prestou atenção a nada. Tiveram que a abanar quando a aula chegou ao fim para que se levantasse e saísse da sala. Não se atreveu a olhá-lo. Não conseguia pensar, reagir, falar. O choque foi demasiado grande.&lt;br /&gt;Os dias passaram rapidamente, as aulas dele eram uma provação. Ficava absorta, imóvel, ela que sempre fora uma das melhores alunas, interventiva e participativa. Comportava-se como uma anormal em todas as aulas DELE. Não sabia como se comportar ou agir. Via-o agora como alguém inalcançável. Num patamar muito elevado.&lt;br /&gt;Estavam a estudar o livro “The Go Between” the L.P. Hartley nesse período. Sempre que podia, esgueirava-se para a praia no final das aulas para ler. Não era nenhuma obrigação para ela.&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"The past is a foreign country: they do things differently there."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Estava a adorar o livro, sentia uma pena enorme do pobre Leo que era usado como intermediário entre os dois amantes que se aproveitavam da sua inocência para viverem em segredo um caso de amor escandaloso para a época. Foi numa dessas tardes que ELE a encontrou na praia.&lt;br /&gt;O outono tinha começado mas apesar disso o sol do final de tarde era ainda suficientemente quente para lhe permitir estar estendida na areia com a mochila dos livros a servir de travesseiro a ler.&lt;br /&gt;Sentiu a sombra dele passar na frente do sol e quando se ergueu deparou-se com ELE que a observava de pé ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tenho-te visto aqui sempre no fim das aulas....&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu-lhe, como sempre, ficara sem palavras na presença dele. Corava como uma tonta e era incapaz de formar um pensamento coerente. Nem queria imaginar a opinião que ele teria dela. Uma imbecil.&lt;br /&gt;Ele sentou-se ao lado dela e ficaram os dois em silêncio durante algum tempo. Até que o sol se pôs e ela se levantou para ir embora. Ele deu-lhe a mão para a ajudar a levantar e não a largou imediatamente, antes segurou-lhe a mão durante mais tempo que o normal. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;É estranho, estar aqui, contigo, parece-me de repente a coisa mais natural do mundo. O sitio onde devo estar.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Passou-lhe um dedo pela face. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Até amanhã M.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-5006363865491378106?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/5006363865491378106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=5006363865491378106&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/5006363865491378106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/5006363865491378106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/03/ele-iv.html' title='ELE IV'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-4711199298220141873</id><published>2010-03-11T22:03:00.003Z</published><updated>2010-03-11T22:14:09.905Z</updated><title type='text'>ELE III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era Setembro, o seu mês, o Verão estava a acabar e tinha sido especial. As ultimas férias grandes! Entrava no último ano do liceu daí a alguns dias e depois acabavam os 3 meses de sol praia e amigos. A seguir vinha a faculdade, não voltaria a ter verões longos, com dias intermináveis, que se estendiam à sua frente num mar de risos e brincadeiras com os amigos.&lt;br /&gt;Aproveitou bem o Verão, as tardes longas e soalheiras em que recostada numa rocha ouvia os amigos tocar viola e cantar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fez um novo amigo nesse Verão, o primo de alguém que se juntou ao grupo do costume. Era bonito, diferente, vinha do interior, tinha um sotaque diferente do nortenho dela. Achava piada à pronuncia dele, achava-lhe piada a ele, ao corpo alto e desengonçado de rapaz que tinha deixado a adolescência há pouco, e que não era ainda um homem. Agradavam-lhe os olhos azuis e brilhantes, o cabelo loiro cortado rente, as linhas marcadas no rosto bronzeado que demonstravam que era alguém que ria com frequência. Gostou dele.&lt;br /&gt;Tocava viola muito bem, cantava terrivelmente, o que a levou, naquele dia, a pôr-lhe a mão na boca para o calar. Ele beijou-lhe a palma da mão, lambeu-lhe o sal e sorriu-lhe. Ela devolveu-lhe o sorriso e decidiu ser ela a cantar. Tinha uma voz bonita, rouca e doce, que todos adoravam mas que raramente ouviam. Não gostava de cantar em público, não gostava de se ouvir, nem que a ouvissem. Mas naquele dia cantou, porque sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tornaram-se inseparaveis os dois, o parzinho do grupo. Sentia-se em parte culpada, não era ELE. Sentia que devia esperar por ELE, que devia ser ELE a despertar nela aquelas sensações pela primeira vez. Mas sabia também que logo que o encontrasse perderia a oportunidade de experimentar outras coisas com outro alguém, porque a partir do momento em que se encontrassem seria DELE, apenas. Por isso arrumou o sentimento de culpa no recanto sombrio da sua mente onde guardava tudo aquilo em que não lhe apetecia pensar. Era exímia a fazê-lo. A colocar de lado o que não lhe interessava, a magoava ou preocupava. &lt;em&gt;Penso nisso depois, ha sempre tempo depois para me preocupar.&lt;/em&gt; Eventualmente acabava por esquecer os pensamentos armazenados, ou se por algum motivo se voltava a lembrar, eles já não tinham a mesma importância. O tempo relativizava tudo.&lt;br /&gt;Com a culpa arrumada naqule lugar recôndito de onde não pensava tirá-la, entregou-se à descoberta e ao despontar daquele sentimento especial que a ligava ao amigo. Foi da boca dele que recebeu os primeiros beijos de adulto, daqueles que envolviam a língua e cujas descrições, que invariavelmente encontrava em alguns dos romances que lia surripiados à mãe e às escondidas debaixo da cama, lhe causavam impressão. Tudo o que leu não a preparou para aquela sensação de frio na barriga, quando os lábios salgados dele se abriram sobre os seus e sentiu a língua dele a abrir os dela. Aceitou a invasão, o sabor da boca dele, a sal e morango do gelado que tinham comido juntos. Descobriram-se nos recantos preferidos dela, entre as rochas aquecidas pelo sol que lhes escaldavam as costas, com o som do mar e as gargalhadas dos amigos ao longe. Deixou que as mãos dele conhecessem a sua pele, enquanto que com as suas, a medo no início, o explorava também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não fizeram amor, no entanto, graças à mãe que os encontrou enroscados na areia e um no outro, num dia em que a procurava na praia para lhe mostrar quem mandava. Tinha-a mandado limpar o quarto nesse dia, antes de ir para a praia. Ela tinha desobedecido, como de costume. A mãe foi procurá-la onde sabia que a encontraria. A fúria fria da mãe quando a viu assustou-a mais do que se a tivesse arrastado pelos cabelos para casa. Disse-lhe apenas que compusesse o fato de banho e que a esperava em casa. Despediu-se do amigo com as lagrimas nos olhos, estava feita. O pai não estava em casa essa semana, ninguém a defenderia. Céus, o caminho para casa parecia-lhe de repente demasiado curto. Quando chegou, a mãe esperava-a no quarto, disse-lhe numa voz gélida que estava desapontada com ela, e que até ela dizer o contrario, estaria proibida de ir à praia ou de falar com os amigos. De nada lhe valeram as lagrimas que continuavam a cair, acabou por acrescentar ainda mais uma provação à já pesada pena. &lt;em&gt;Ficas sem os livros também.&lt;br /&gt;Até quando mãe?&lt;br /&gt;Até quando eu quiser.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não durou muito o castigo felizmente, duas semanas, até o pai voltar. A mãe não quis contar ao pai o que se passou, para não o desiludir,disse. Não tinha como justificar a punição de outra forma, por isso tudo voltou ao normal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas foi o suficiente, o amigo tinha partido entretanto, voltado à terra do interior de onde tinha vindo. Nem sabia o nome completo dele, morada, telefone, nada, não tinha nenhuma forma de o contactar. Nunca mais o viu, mas nunca o esqueceu. Ás vezes ainda se lembra daqueles dias de sol e sorri, fechando os olhos quase o consegue imaginar. Quase...&lt;br /&gt;Não sonhou com ELE nesse Verão. Mas sonhou, outros sonhos, o sonho que a fez acordar apavorada e a gritar a meio da noite. A mãe correu para o lado dela, tentado acalmá-la. Abraçou-a e embalou-a como um bébé enquanto ela soluçava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha sonhado com o pai, com o pai que se debatia no meio do mar, entre dezenas de troncos de àrvore que flutuavam à sua volta e corpos, corpos humanos engolidos pelas àguas escuras. A mãe repetia: &lt;em&gt;são sonhos, filha, sonhos. Acalma-te, o teu pai está bem, falei com ele pelo rádio do barco antes de me deitar. Ele está bem, perto da costa, em segurança. Sossega, dorme.&lt;/em&gt; Mas até a mãe ficou abalada com o sonho, tanto que se deitou junto dela e a abraçou até que ambas adormeceram.&lt;br /&gt;Ela acordou ainda o sol não tinha nascido com a voz da mãe. &lt;em&gt;Vem&lt;/em&gt;, dizia, &lt;em&gt;Vem&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Quando viu a praia pela janela da cozinha sentiu-se gelar, por pouco não desfaleceu quando viu todos os troncos de àrvore espalhados no areal. Dezenas, como no seu sonho. O que fariam ali? como apareceram? &lt;em&gt;Meu Deus, faz com que seja um sonho, por favor, apenas um sonho. Tem que haver uma explicação lógica para estes troncos aqui. Tem que haver.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Desceu para a praia e sentou-se na areia, à espera. Ficou horas sentada, imóvel. Até que sentiu os passos na areia. Pai... O alívio que sentiu foi tão grande que as lágrimas que lhe subiram aos olhos lhe cairam pelo rosto sem que as sentisse  e o nó que se formou na garganta quase a impediu de respirar. Ele explicou-lhe o que tinha acontecido, que um cargueiro que passava perto da costa, carregado de troncos de madeira tinha naufragado. O barco dele ouviu o pedido de socorro e tentaram ajudar. Ele lançou-se à àgua, amarrado por um cabo e lutou com as àguas para tentar salvar os tripulantes que se afogavam. Falhou. Os ombros curvados dele diziam-lho, mesmo que as palavras não lhe saissem da boca. Cadáveres foi tudo o que conseguiu recuperar. O mar não perdoa, é amigo, mas é uma besta também, um monstro que às vezes tem fome. E quando assim é, nada o consegue travar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não tenhas medo miúda, o teu pai ainda vai andar por aqui durante muitos anos. Não és so tu que sonhas, sabes... Eu também, e num deles vi-me daqui a muitos anos, num campo cheio de flores com o teu filho pela mão. Apanhávamos malmequeres, papoilas e amores-perfeitos para ti. Fizemos um ramo lindo com as tuas flores preferidas, para ti, que estavas sentada numa manta, com um livro na mão, e um cachorrinho no colo. Agora vem, vamos para casa, vai chover em breve.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ia responder que não era possível chover, não se viam nuvens no céu, quando ouviu o barulho do trovão ao longe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ia chover, claro...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-4711199298220141873?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/4711199298220141873/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=4711199298220141873&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/4711199298220141873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/4711199298220141873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/03/ele-iii.html' title='ELE III'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-7324926302768038689</id><published>2010-03-11T00:17:00.002Z</published><updated>2010-03-11T00:27:09.322Z</updated><title type='text'>ELE - II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Agora que o sabia real a ansiedade de o encontrar dimínuira. Não porque não o quisesse, não, nada disso. Apenas porque uma pequena parte dela, a parte mais racional talvez, duvidava que ele existisse realmente, acreditava que os sonhos eram apenas isso.&lt;br /&gt;Como dizia a mãe, &lt;em&gt;“sonhar é dormir, fantasias da tua cabeça”.&lt;/em&gt; Sabê-lo real significava que os sonhos também o eram e sendo assim, era apenas uma questão de tempo até acontecer. Até o ouvir sussurrar-lhe a palavra que lhe preenchia os sonhos e muitos dos momentos em que estava acordada, Minha.&lt;br /&gt;Ela era paciente, sabia esperar. Aprendera-o com o pai, aprendera sempre tudo com o pai. Não com a mãe, sempre apressada, sem tempo, paciência ou energia para ela, para as suas intermináveis perguntas, para os seus sonhos.&lt;br /&gt;Paizinho, sempre lhe chamara paizinho, o que deixava a mãe furiosa. Nunca lhe chamara mãezinha a ela, não encaixava, o termo não se aplicava. Nada de diminutivos para aquela mulher forte, segura, sempre cheia de certezas e razões. Que levava tudo na frente e não admitia erros, que exigia dos outros tanto quanto dela propria. Mãe, só mãe. Os irmãos usavam o mamã ou aplicavam o zinha sempre que sabiam que isso lhes garantia uma folga nas tarefas da casa ou uma hora extra no recolher obrigatório que ela impunha com mão de ferro.&lt;em&gt; “Eu sou a má, dizia, sempre eu, eu é que digo não, eu é que proíbo, o vosso pai... principalmente a ti, a menininha do papá. Deixa-te fazer tudo, correr na praia como uma selvagem, vagabundear pelo meio das rochas, tudo. Tenho que ser eu a pôr-te travão, se não fôr eu, transformas-te numa qualquer.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Só o pai a entendia, o pai calmo e paciente, com quem partilhava o amor pelo mar e pelos livros. Adorava a praia e o mar, crescera com a areia na porta de casa. Bastava-lhe descer as escadas da cozinha e pronto estava com os pés na areia. Conhecia a praia tão bem como qualquer pescador. Passava horas perdidas nas rochas a vêr os peixes, as conchas e as algas. Sabia-lhes os nomes de côr, de cada tipo de peixe que passava naquelas rochas. Apanhava-os nas mãos em concha, fazia-o com uma facilidade que os filhos dos turistas invejavam. Eles não sabiam que ela não apanhava os peixes, eles nadavam para as suas mãos abertas porque confiavam nela, sentiam que não lhes faria mal, apenas queria vê-los. Levantar as mãos para os expôr ao sol e vêr as cores do arco iris reflectidas nas escamas iridiscentes. Depois libertava-os. &lt;em&gt;“Vês o formato das escamas, do rabo, este quando crescer vai ser um safio, este outro um robalo”&lt;/em&gt;. Lindos, achava-os lindos a todos. O pai ensinou-a a pescar também. Levantavam-se os dois de madrugada, aproveitavam quando a maré descia para apanhar o isco. Ela adorava fazê-lo. Procurar as pedras onde se escondiam as minhocas. Eram diferentes das outras, essas pedras, pareciam iguais, mas o pai explicou-lhe como as distinguir. Pela côr e pelo tacto. &lt;em&gt;“Toca, vês, são mais macias, e se as pressionares, desfazem-se nas tuas mãos. É la dentro que encontras as minhocas, o isco. Os peixes adoram isto, vá, vamos apanhar alguns para o almoço. Depois ensino-te a arranjá-los.”&lt;/em&gt; Ficavam lado a lado, empoleirados nas rochas, em silêncio. Ele com o cigarro no canto da boca, ela a olhar o sol, o mar.&lt;br /&gt;De vez em quando o pai cortava o silêncio para lhe explicar algo. &lt;em&gt;“Olha para a linha do horizonte, dizia, vês como o céu parece rosado lá bem ao longe? Vai estar um dia muito quente.”&lt;br /&gt;“Vira o rosto para o vento, sentes como bate na tua face direita? Desse lado é sudoeste, vai chover antes do fim do dia”.&lt;/em&gt; O pai com as suas previsões meterológicas infalíveis. Não falhava nunca, habituou-se a perguntar sempre de manhã, se deveria levar mais um casaco, o impermeável ou o guarda chuva. Ele sabia sempre. O pai, sabia sempre. O pai que a protegia da fúria da mãe sempre que chegava a casa com o cabelo revolto, ainda mais encrespado pelo vento e pela salitra. Era ele que lhe penteava os longos cabelos e os entrançava para dormir não a mãe, a mãe que sempre sonhara com uma filha de pele morena como ela, cabelos lindos e negros dignos de um anuncio de champô, e a quem lhe saira isto. Este ser estranho, com um cabelo emaranhado, de uma côr que fazia lembrar a ferrugem que se acumulava nas janelas corroídas pela salitra, com uma pele branca translúcida que se enchia de sardas que não saiam por mais que as esfregasse. &lt;em&gt;“Não tens ponta por onde se pegue”,&lt;/em&gt; costumava dizer-lhe.&lt;br /&gt;O sonho dela era cortar o cabelo, bem curto como o dos irmãos. Sempre que entrava no mar tinha aquele peso atrás de si, aquele estorvo, implorava à mãe que lhe cortasse o cabelo, mas ela negava sempre. Dizia que pelo menos com o cabelo comprido ninguém a confundia com um rapaz, já que as suas maneiras e hábitos a faziam bem pior que qualquer um dos irmãos. Obrigava-a a usar o cabelo pela cintura, num manto enorme, que foi o objecto do seu primeiro acto de rebeldia quando no dia em que fez dezoito anos o cortou o mais rente que pôde. A mãe ficou histérica, nem imaginava o que seria se ao mesmo tempo tivesse cedido à vontade de fazer uma tatuagem, provavelmente provocava-lhe uma síncope. O pai achou piada, passou-lhe a mão pelo couro cabeludo e riu. O pai, que anos depois, quando ela voltou para casa depois de ter dado à luz o filho, lhe levou as refeições à cama durante duas semanas. Que cozinhava apenas para ela, refeições saudaveis, porque leu num dos seus incontáveis livros que uma mulher que amamenta se deve alimentar de uma forma especial. O pai, a quem contou os sonhos que tinha com ELE, que sempre lhe disse que o nosso subconsciente é um lugar cheio de mistério e que há sempre uma razão para aquilo que sonhamos. &lt;em&gt;“Nada acontece por acaso, tudo na vida tem uma razão de ser. Os teus sonhos também terão. Sê paciente, espera...”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ela esperaria. Claro que sim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-7324926302768038689?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/7324926302768038689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=7324926302768038689&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/7324926302768038689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/7324926302768038689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/03/ele-ii.html' title='ELE - II'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3379915711404066300.post-8366036170222524665</id><published>2010-03-10T18:58:00.003Z</published><updated>2010-03-11T00:15:18.254Z</updated><title type='text'>ELE - I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;É aquele.&lt;br /&gt;Quem ? Aquele o quê?&lt;br /&gt;Aquele ali. É ELE.&lt;br /&gt;Conheces?&lt;br /&gt;Sim, desde sempre. Ele é que não me conhece, ainda não.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Estavam as duas sentadas no muro, o dia era de sol, a família tinha-se juntado para um piquenique. Lá, do outro lado da clareira viu-o. ELE. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha sonhado com ELE, muitas vezes ao longo do tempo. Desde aquele dia em que se juntaram todas para brincar com a tábua dos espíritos. Ela perguntou com quem iria casar, tinha doze anos então, teve um nome como resposta, o Dele, estava segura. Quantas vezes vou casar, perguntou ainda. Três, responderam os espiritos, ou as amigas, certamente eram elas que faziam mover o copo com os dedos. Quem são os outros? Só um nome, o Dele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa noite sonhou com ELE pela primeira vez. Viu-o claramente, os suaves caracóis castanhos, os olhos verdes brilhantes, o sorriso, lindo. Viu-lhe a boca, que formava uma palavra: Minha. O sonho repetia-se, sempre igual, passavam dias, semanas até sem que o sonhasse e então via-o. Minha, dizia sempre enquanto sorria.&lt;br /&gt;Durante anos procurou-o. Em todos os rostos que via tentava reconhecer o dele, nunca o encontrou. Até aquele dia. Naquela clareira, sentada no muro, enquanto pensava que o dia era perfeito, que era o dia perfeito para o encontrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sol queimava-lhe o rosto, já cheio das sardas que detestava. Ninguém na família tinha sardas, eram todos morenos, cabelos e olhos escuros. Peles lindas que bronzeavam facilmente. Ela não! Ruiva, olhos verdes, herança do bisavô paterno. Descendia dos Vikings, dizia o pai com orgulho. Chamavam-lhe o barba vermelha, ao bisavô que mesmo depois de envelhecer e ver o ruivo dos cabelos ser substituído pelo branco da velhice manteve inexplicavelmente a barba vermelha.&lt;br /&gt;Grande consolo, pensava ela enquanto olhava para os muitos primos e irmãos que brincavam descuidados ao sol. Ela com o chapéu de sol e o nariz coberto por um creme horrível e mal cheiroso que a mãe insistia em lhe aplicar e que nunca resultava. As sardas eram persistentes, bastava o mais ínfimo raio de sol para que lhe tomassem conta do rosto. E se ELE não gosta das minhas sardas, pensava... Mas lembrou-se do sonho, Minha. Não, ele ia gostar das sardas dela, dos braços e pernas desajeitados, dos cabelos crespos e ruivos que ela tanto queria negros e lisos como os da prima. Ele ia gostar porque era ELE.&lt;br /&gt;E então viu-o. Mais do que reconhcê-lo, ouviu uma voz que lhe disse, ele, é ELE. Repetiu-o à prima com a convicção de quem viu o futuro e sabe o que este lhe reserva.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tonta, como sempre, tonta. Vais-me dizer que sonhaste com ele? Tu e os teus sonhos... Anda, vão começar a almoçar e se não nos despachamos, ja sabes como é... com aquela cambada de esfomeados, não sobra nada para nós. Vem, a tua mãe fez aquela tarte que tu adoras.&lt;br /&gt;Vai tu, eu fico mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Queria vê-lo, só mais um pouco. Sorver a presença dele. Esperou tanto, só mais um pouco. Ficou sentada no muro muito tempo, a vê-lo sem que ele soubesse que o via. Sem que ele soubesse que existia, teria sonhado algum dia com ela? Tê-la-ia imaginado, sentido, desejado? Certamente que não, os sonhos eram dela, apenas dela. Não sabia de onde vinham nem porquê, sabia apenas que eram uma coisa dela. Mas não fazia mal, tinham tempo. Era muito cedo ainda para se conhecerem, intuía isso. Por enquanto bastava-lhe vê-lo, saber que era real. Observar as mãos dele enquanto afagava os caracóis castanhos da criança que o acompanhava. Um irmão talvez, era muito jovem ainda para ter filhos, ou não? Quantos anos teria? Imaginava-o da sua idade, sempre lhe parecera assim nos sonhos, mas agora parecia mais velho. Tanto que não sabia, mas tinha tempo para descobrir. Não ia ser agora nem aqui. Mais tarde, em breve, mas não aqui nem agora.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Então, vens ou não???&lt;/em&gt; Agora era a mãe que a chamava. Despegou os olhos dele e foi. Que remédio, não se ignorava um chamado da mãe. &lt;em&gt;Vou, mãe, vou...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3379915711404066300-8366036170222524665?l=mayagaarder.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mayagaarder.blogspot.com/feeds/8366036170222524665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3379915711404066300&amp;postID=8366036170222524665&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/8366036170222524665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3379915711404066300/posts/default/8366036170222524665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mayagaarder.blogspot.com/2010/03/ele.html' title='ELE - I'/><author><name>Maya Gaarder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03653013536289821958</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-qZ__c2PIgU/TAlB6N8njHI/AAAAAAAAAE0/6jfbtPwvaNk/S220/images.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
